¿ o que nos resta ?

... um mundo vigilante, no qual mesmo em silêncio é preciso saber o que dizer.

outubro 16, 2009

Soledad Maradona

Dizia ser Vicky, mas na verdade se chamava Soledad, um nome quase autobiográfico.

Seguia triste e feia como um trapo sujo, pelas mais escuras ruas de San Telmo... Piedras, Calvo, Defensa e logo San Juan em direção ao Paseo Colón, envolvida pelo mais fantasmagórico que Buenos Aires pode oferecer numa noite.

Ou talvez não eram ruas tão desertas, ela é que era velha demais praquilo que se prestava. Ela é que era o fantasma em meio à indiferença geral prá com uma senhora que tratava de se oferecer e seduzir como uma garotinha.

Numa noite com vitória albiceleste, contra o histórico rival uruguayo e valendo vaga na Copa, os machos argentinos geralmente saiam a comemorar na rua com mulheres como ela. Mas aqueles eram outros tempos, ou essa seleção já não entusiasma a líbido portenha como as de antigamente. Ou ambas coisas!

Mais uma noite perdida, mais uma noite a dizer que ela precisava mudar de vida, ou simplesmente deixar de viver.

Mais uma noite em que tudo o que ela queria era um mísero cliente. Apenas um furibundo idiota que quisesse algo, ainda que fosse violento e asqueroso, ou uma rápida felação, qualquer coisa que lhe rendesse uns pesos a mais na bolsa.

Ao chegar num bar próximo Parque Lezama, viu na televisão um Maradona louco de euforia desafogar suas mágoas contra os jornalistas que o criticavam: "¡... que me la sigan chupando!".

Pensou naquela ironia e decidiu voltar prá casa pela última vez...

... o resto é silêncio!

7 ruídos:

André Leite disse...

Muy bien, me gusto mucho de este cuento.
¿Pero adiviné quien seguirá chupando?

No... yo no apuesto en Soledad.

¡Que venga más Victor!

Saludos...

Átila Serdera disse...

Grande Victor, sucesso no blog. Lembrei duma velha aqui de Santos, que gostou do Filipo, naquele trabalho da faculdade. Ela começou pedindo 50,00, no final fazia pra todo mundo por 5,00. Foi deprimente.
Abraço.

Katiuscia Santos disse...

Me lembrei do texto que estou estudando pra apresentar na aula de teatro da semana que vem, uma cena de uma prostituta velha, de rua, parecida com a Soledad, enxerguei minha personagem no seu texto. rs
Bjs.

Anônimo disse...

Parabéns... crônica deliciosa e impecável.
Beijos,
M....

Valéria Silveira disse...

A vida é implacável, os anos passam e todos perdemos o glamour...
A velha prostituta ou o ídolo Maradona, não faz diferença...
Todos são eternizados, seja na lembrança de um universitário q perdeu a virgindade pelas ruas, ou por um torcedor fanático... a diferença é q nos segundo caso essa lembrança é enaltecida...
Mais,la no fundo, indifere, por que o que nos alimenta realmente é a glória dos tempos bons, e quando ele se vai, a lembrança torna-se algo amargo...

André Takagochi Rinaldi disse...

Brother, numa mesma crônica vc mexeu em três paixões minhas, Buenos Aires (me recordei da Calle Defensa em San Telmo e curti pacas a lembrança), a qual voltarei en la Navidad, Futebol (em especial o sempre polêmico Maradona) e a Soledad...que saudade de seus lábios...ambos...

Anônimo disse...

Hehehehehehehehehe!!!

Olha só as quebradas onde o maluco foi se inspirar.

Legal a história, abração!
Marcelo

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